PARABÉNS PELA PARTICIPAÇÃO DE TODOS PARA O SUCESSO DE NOSSO ENCONTRO.
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Hamilton divulgou a continuidade das discussões através de encontros periódicos no Instituto Pólis, tendo em vista que os dois dias do congresso se mostraram insuficientes para dar conta das muitas questões levantadas: “o mapeamento, geralmente visto apenas como cadastro, se mostrou muito mais complexo que isso, onde o banco de dados georreferenciados não é o principal objetivo, mas apenas uma das ferramentas que fazem parte desse instrumento de ação tranformadora.”
E para finalizar, Hamilton realizou uma leitura poética. As luzes foram apagadas e os participantes fecharam os olhos:
“Pintei estrelas no muro, e tive o céu ao alcance das mãos.” Helena Kolody
“Alguma coisa acontece quando a gente toca em gente. Experimente!” Ulisses Tavares
“Para que viaja ao encontro do sol, é sempre madrugada.” Helena Kolody
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Com a tag encerramento, hamilton faria, helena kolody, ulisses tavares
Ana do Val falou da importância dos questionários das pesquisas, não apenas no momento da definição das perguntas, mas também no modo de se perguntar.
No trabalho de mapeamento do Sesc Santo Amaro, houve uma preparação dos entrevistadores para que estivessem aptos para colher informações quantitativas e qualitativas. Foram cinco semanas de imersão, através de alguns eixos de formação: técnico, relativo ao conhecimento do bairro, do transporte e do conhecimento sobre as políticas públicas de cultura; prática de entrevista, com simulações referenciadas no Museu da Pessoa, no psicodrama e no sociodrama; e a colocação sobre um mapa do bairro, de pontos que cada pesquisador conhecia ou que gostaria de conhecer, para que elaborassem o roteiro da coleta. Alertaram para que ficassem atentos à visão, olfato, audição, texturas, além de sensações e sentimentos que não estivessem ligados aos sentidos físicos do corpo. A partir disso, Ana disse que “construíram também um caderno de campo com observações pessoais, possibilitando o mapeamento afetivo, que favorece a leitura analítica dos dados coletados.”
Além disso, afirmou que “é importantíssimo que aqueles que estão sendo mapeados sejam os principais apropriadores dessa ferramenta, muito mais que aqueles que produzem o mapa.”
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Com a tag ana paula do val, entrevista, mapeamento afetivo, perguntas, pesquisa, sesc santo amaro
Complementando a fala de Cecília, Marta Ricart lembrou dos movimentos por reivindicação de espaços públicos na Catalúnia nos anos oitenta. Ela disse que “hoje em dia, em contraponto, há muitos equipamentos socioculturais, mas a grande maioria é privatizada e individualista, distante da participação pública.”
Cecília Lotufo falou de uma praça degradada que fica no caminho entre sua casa e a escolinha de sua filha, localizadas no limite entre os bairros de Alto de Pinheiros e da Lapa, na cidade de São Paulo. Sua filha pediu para que sua festa de aniversário acontecesse lá, e ao conversar com ela sobre o estado da praça, a filha comentou que elas poderiam consertar os brinquedos quebrados e deixar o lugar mais bonito. Então combinaram que se ela abrisse mão de ganhar presentes e, ao invés disso, pedisse para que as pessoas a ajudassem na restauração, a festa poderia acontecer no parquinho.
Cecília falou com a prefeitura e pediu, de casa em casa, a ajuda de vizinhos. Assim, a reconstrução, bem como a festa, aconteceram de maneira muito participativa, com dezenas de pizzas, bolo de metro e centenas de doces. Foi um processo muito positivo, de conhecimento das pessoas do bairro e reconhecimento delas pela iniciativa do trabalho.
Depois, Cecília descobriu que a subprefeitura já havia reconstruído a praça diversas vezes e percebeu que a responsabilidade não era apenas de reformar, mas de manutenção. Então reuniu a comunidade para criarem algo como uma zeladoria. Comentaram de criar uma vaquinha e contratar alguém para cuidar da praça, mas disseram que isso já havia sido tentado sem sucesso. Então se organizaram para que as próprias pessoas cuidassem disso e se encontrassem através de piqueniques. O processo participativo funcionou tão bem, que se expandiu para outras praças próximas. E assim que descobriram que o triângulo formado pelas três praças revitalizadas está situado no ponto mais alto de São Paulo, mais alto ainda que a Avenida Paulista, repensaram o valor do espaço. Ele poderia ser ponto turístico da cidade e, portanto, deveria ser ainda mais preservado. Cecília diz: “é um processo participativo onde ninguém recebe financeiramente porque não há organização através de capital, mas todo mundo ganha pela fruição do espaço e pela valorização da região.”
Criaram um ning, que funciona como um blog administrado coletivamente por todos aqueles que se cadastram: boapraca.ning.com
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Com a tag apropriacao, cecilia lotufo, praca, restauracao, revitalizacao
Os participantes do encontro trouxeram materiais e objetos que os representassem ou representassem os projetos para os quais trabalham. Olha que legal que ficou!!

Floriana Brayer, do grupo EIA, trabalha com o espaço público e questionou: “como trocar experiências numa cidade onde a dinâmica do tempo e do capital rege nossas vidas?”
Comentou dos formatos de visualização e de mapeamento que temos e falou da possibilidade de utilizar festivais como formas de mapeamento. Trouxe fotos impressas de festivais que realizaram, e disse que possui um banco de dados enorme de artistas, mas cujo mapeamento é “vivencial”.
Falou também da Bienal de Havana, que propôs um álbum de figurinhas ilustrativo da cidade, como uma forma de mapeamento do transporte, das casas, das crenças e das comidas características da cultura local. Eles distribuíram o álbum vazio, de maneira que as pessoas tinham que percorrer o circuito proposto e, consequentemente, conhecer os elementos culturais da cidade, para que pudessem preencher os espaços das figurinhas.
Apresentou também o projeto “você tem fome de quê?”, que distribui um passaporte simbólico com imagens de pratos vazios em seu interior. Cada prato representa um elemento de que as pessoas têm fome, como paz, diálogo e comida. A proposta é incentivar os participantes a levar esses elementos a outras pessoas, sendo que quando suprem a fome de alguém, recebem um selo representando o elemento que difundiram. Por exemplo, se alguém estabeleceu uma conversa, recebe o selo do diálogo.
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Com a tag bienal de havana, Environmental Youth Alliance, floriana brayer, voce tem fome de que
Valmir abriu a conversa falando que apesar das metodologias apresentadas convergirem em alguns pontos, identificaram que algumas delas utilizam tecnologias bem estabelecidas e outras trazem processos que estão nascendo e que vêm com um dispositivo de registro menos aceito pelo pensamento rigoroso da ciência. Essas novas experiências trazem informações que não necessariamente têm reflexão direta nos mapas, mas enriquecem sua compreensão.
Ana do Val falou da importância de abrir a discussão com o público, não apenas para conversar sobre o que foi apresentado no encontro, mas para apresentar novos processos, ou ainda novas formas de abordar um mesmo tema ou uma mesma metodologia.
Elvis, de um Ponto de Cultura de Diadema que existe há 37 anos, apresentou o trabalho de sua entidade. Falou do culto ao tambor de Mina, muito específico do Maranhão, seu estado de origem. Comentou que além das dificuldades para conseguir a aceitação dessa cultura na região de São Paulo, as casas de ketu e umbanda não se visitavam, mas eles conseguiram construir a ponte entre as casas e fazer com que elas trocassem experiências. Hoje, criaram inclusive algumas festas, como a de Ogum, além de festivais e um congresso por onde circularam cerca de mil pessoas por dia. Além disso, estão construindo através de escutas, o que chamam de mapas invisíveis. O objetivo é estudar e reconhecer essa cultura que ainda sofre muito preconceito e ataque, principalmente por parte da igreja fundamentalista.
Daniel Hilário falou que reconhece as limitações econômicas e tecnológicas do mapeamento, mas se quisermos uma visão nova com metodologias novas, é necessário quebrar a estaticidade desses encontros, sempre focadas em apresentações através do discurso e de slides. Para quebrar a própria estrutura do debate, ele cantou uma música que compôs e que remete, entre outras coisas, à parcialidade dos discursos, mesmo quando baseados em estudos acadêmicos, pautados pelo rigor da ciência.
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Com a tag ana paula do val, daniel hilario, diadema, elvis, musica, tambor de mina, valmir de souza

“Os diálogos cada vez mais intensos vem formando uma cartografia cognitiva, mas que lugar em um mundo marcado pelo nomadismo, que lugar estas manifestações artísticas podem ocupar?” provocou a comentadora da mesa Lilian Amaral.
Luis Eduardo Tavares, do Instituto Pólis, trabalha em um projeto que será lançado na rede em breve: uma cartovideografia da Cidade Tiradentes, que reúne conteúdo de espaços, linguagens e elementos culturais da região.

Luis deu ênfase na sua apresentação aos aspectos conceituais da discussão de um mapeamento. Comentou o caráter experimental destes mapeamentos e como se dão estes novos significados por meio da linguagem estética. No caso deste projeto, a ausculta é realizada por captação audiovisual, que é capaz de mostrar os gestos, texturas, além das histórias.
Concordou ainda com as falas de outras pessoas durante o encontro que afirmavam a não neutralidade de um mapa, mas a sua condição de reprodutor e criador da realidade. Mas com a popularização e democratização das novas tecnologias de comunicação, os mapas agora deixaram de ser produzidos apenas por grupos dominates. Segundo Luis, a valorização do saber local e o fácil acesso às tecnologias propiciaram um espaço para que novas representações de mundo pudessem ser abordadas nos mapas.
” O mais importante não é como os mapas podem representar a diversidade, mas como a diversidade está representada ao produzir seu próprio mapa. Isso seria então a descolonização da memória e imaginário de que falou Dan Baron.”
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Com a tag Cartovideografia, Cidade Tiradentes, Instituto Polis, Luis Fernando tavares